Apesar do sorriso bonito e do jeito de menina, ela não faz o tipo mocinha e costuma achar graça da própria piada por justamente se enrolar ao contar. Ela é moderna e gosta de coisas velhas, ela é assim, não gosta de nada e gosta de tudo, mesmo que esse tudo em nada faça seu agrado. Ela é assim, não se sabe como nem por onde, só se sabe que por algum lugar e que de alguma maneira. Sarah, ana, luiza. Não se sabe, mas sabemos que nunca saberemos. Ela é assim, apesar de não ser como parece, parece, de alguma maneira, ser.
Deita tua boca na minha. Fecha os teus olhos e se sussurre pra mim no escuro das mãos atrevidas. Faz-me de cama para teu sossego. Faz-me de refúgio para teus pânicos. Faz-me de latíbulo para os teus assombros. E deixe-me te amar, como o céu enlaça o mar, como a chuva faz sonhar. Deixe-me te dar abraços, mimos, sorrisos. Deixa eu te cuidar.
De repente, intrometem-se uns nacos de sonhos;
Uma remembrança de mil novecentos e onze;
Um rosto de moça cuspido no capim de borco; Um cheiro de magnólias secas.
O poeta procura compor
esse inconsútil jorro;
Arrumá-lo num poema; e o faz.
E ao cabo reluz com a sua obra.
Que aconteceu? Isto: O homem não se desvendou, nem foi atingido:
Na zona onde repousa em limos
Aquele rosto cuspido e aquele
Seco perfume de magnólias,
Fez-se um silêncio branco… E, aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.